Senador ficou 1,87 ponto percentual à frente do presidente no 1º turno, com cerca de 2,2 milhões de votos de distância; campanha curta de 20 dias terá debates, propaganda no rádio e na TV e disputa
O Brasil acordou nesta segunda-feira (6) ainda digerindo um resultado que nenhuma eleição presidencial havia produzido desde a redemocratização: o primeiro turno de 2026 terminou com a menor diferença entre os dois primeiros colocados da história. O senador Flávio Bolsonaro (PL) ficou em primeiro lugar, com 47,03% dos votos válidos — 56.104.268 votos —, seguido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 45,16% — 53.876.617 votos, segundo a totalização concluída pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na madrugada de segunda-feira. Os dois se enfrentam no segundo turno, marcado para 25 de outubro.
A distância entre eles foi de apenas 1,87 ponto percentual, o equivalente a cerca de 2,2 milhões de votos. O recorde anterior era de 2022, quando Lula obteve 48,43% dos votos válidos e Jair Bolsonaro, 43,2%, uma diferença de 5,23 pontos — quase o triplo da deste ano.
Como chegamos até aqui
A eleição de 4 de outubro confirmou o cenário que as pesquisas vinham indicando ao longo do ano: uma disputa polarizada entre o bolsonarismo e o petismo, sem espaço para uma terceira via competitiva. O escritor Augusto Cury (Avante) ficou em terceiro lugar com 2,89% dos votos válidos — a menor votação de um terceiro colocado em eleições presidenciais desde 1989. Renan Santos (Missão) fez 2,24%, e Ronaldo Caiado terminou com 2,18%. Todos os demais candidatos ficaram abaixo de 1%.
Somados, os três primeiros candidatos fora da polarização reuniram pouco mais de 7% dos votos válidos — um eleitorado pequeno em termos percentuais, mas que pode ser decisivo em um segundo turno apertado.
Outro dado chamou atenção dos analistas: a abstenção atingiu 21,08%, recorde para eleições presidenciais no Brasil. Foram 33.469.244 eleitores que não compareceram às urnas, em um eleitorado de 158,7 milhões de pessoas aptas a votar. Os votos brancos somaram 1,84% e os nulos, 2,93%.

Quem são os candidatos que disputam o Planalto
Flávio Bolsonaro, 45 anos, advogado, é senador pelo Rio de Janeiro e disputa uma eleição presidencial pela primeira vez. É filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Seu vice é o deputado federal Alfredo Gaspar (PL). Em 2026, Flávio foi o mais votado em 14 estados e no Distrito Federal — desempenho superior ao do pai em 2022, quando Jair Bolsonaro venceu em 12 unidades federativas e no DF.

Luiz Inácio Lula da Silva, 80 anos, natural de Garanhuns (PE), foi presidente da República entre 2003 e 2010 e exerce atualmente seu terceiro mandato (2023-2026), buscando a reeleição. Seu candidato a vice é o médico e ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSB), 73 anos.

As reações dos candidatos
Em pronunciamento após a divulgação do resultado, Lula classificou o desempenho como um resultado inesperado e admitiu que estava convencido de que venceria já no primeiro turno. O presidente afirmou que o placar é uma "lição" e passou a atacar o adversário, citando investigações que envolvem o senador — entre elas o episódio conhecido como "rachadinha" e movimentações financeiras atribuídas a Fabrício Queiroz, ex-ajudante de ordens de Flávio no período em que era deputado estadual no Rio de Janeiro. Lula também fez referência ao que chamou de "ligações tenebrosas" do adversário.
"O resultado foi inesperado, mas é uma lição. Agora é segundo turno, e nós vamos ganhar."— Presidente Lula, em pronunciamento na noite de domingo (4), segundo registro da Folha de S.Paulo
Flávio Bolsonaro, por sua vez, disse estar satisfeito com a votação e destacou o que descreveu como um desejo de mudança por parte do eleitorado, reforçando a leitura de que liderar o primeiro turno o coloca em vantagem simbólica na reta final. A campanha do PL passou a trabalhar com a narrativa de "vitória no primeiro turno moral" — expressão usada por aliados para projetar a ideia de que o resultado já aponta um vencedor, embora matematicamente a disputa permaneça aberta.
A repercussão internacional
O resultado ganhou destaque na imprensa estrangeira. Veículos internacionais repercutiram a ameaça à reeleição de Lula e o avanço do bolsonarismo sob uma nova liderança. Em análise publicada nesta segunda-feira, a Deutsche Welle (DW) apontou que parte da imprensa internacional enxerga favoritismo de Flávio Bolsonaro para o segundo turno, avaliando que uma eventual vitória do senador poderia ter "consequências profundas muito além das fronteiras do país". Outros veículos destacaram a continuidade da polarização brasileira e a força do legado político da família Bolsonaro.
O que esperar do segundo turno: agenda, regras e embates
A campanha do segundo turno já começou. Pelo calendário oficial da Justiça Eleitoral, os próximos 20 dias seguem esta agenda:
| Data | O que acontece |
|---|---|
| 5 de outubro | Início da campanha de 2º turno e da prestação de contas do 1º turno |
| 9 de outubro | Começo da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV |
| Até 22 de outubro | Comícios e uso de aparelhagem de som |
| Até 23 de outubro | Fim da propaganda no rádio e na TV, da publicidade paga na imprensa escrita e dos debates eleitorais (limite: meia-noite) |
| 25 de outubro | Dia de votação do 2º turno |
Nos bastidores, a disputa por apoios promete ser intensa. Cerca de 7,3% dos votos válidos ficaram com candidatos fora da polarização, e as campanhas de Flávio e Lula devem fazer acenos a esse eleitorado — ainda que, historicamente, essas migrações sejam parciais e difíceis de mensurar. O governo federal também terá de administrar a distância entre o exercício do mandato e a campanha, regra reforçada pela legislação eleitoral.
Por que esse segundo turno é histórico
Além da menor diferença já registrada em um primeiro turno, a eleição de 2026 é a primeira vez que um filho de um ex-presidente disputa o segundo turno contra o titular do Palácio do Planalto. É também a disputa presidencial mais apertada da série histórica iniciada em 1989, superando o desempenho de 2022. Para os dois lados, o desafio é o mesmo em tese e oposto em prática: Flávio precisa converter a liderança simbólica em maioria absoluta; Lula precisa reverter um placar que o colocou atrás pela primeira vez em um primeiro turno presidencial desde 1989.
Será que a vantagem de Flávio Bolsonaro se confirma em 25 de outubro ou Lula consegue virar o jogo? Deixe sua opinião nos comentários abaixo — a sua participação enriquece a discussão. Compartilhe esta reportagem com quem também está acompanhando as eleições!
Esta reportagem será atualizada conforme novas informações oficiais forem divulgadas pelo TSE e pelas campanhas.
Fontes consultadas
- TSE — Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) vão disputar o 2º turno para a Presidência da República
- g1 — Diferença entre Flávio e Lula é a menor da história no 1º turno
- Folha de S.Paulo — Lula fala que resultado inesperado é lição e ataca Flávio Bolsonaro
- BBC News Brasil — Como Flávio Bolsonaro chegou à frente de Lula no 1º turno
- Carta Capital — TSE encerra apuração do 1º turno
- DW Brasil — Imprensa internacional vê favoritismo de Flávio no 2º turno
- Agência Senado — Calendário eleitoral de 2026: datas e prazos
- Congresso em Foco — Prazos e principais datas do segundo turno