Os Principais Assassinos em Série Ainda Vivos no Brasil: Histórias de Terror Marcadas por Abusos Sexuais, Pistolagem e Vingança


Pedrinho Matador foi executado em março, mas outros nomes infames continuam vivos, alguns atrás das grades e outros em liberdade, revelando as complexidades do sistema penitenciário brasileiro

Enquanto o Brasil ainda digere o assassinato de Pedrinho Matador, um dos maiores serial killers da história do país, executado a tiros na manhã de 5 de março em frente à casa da família em Mogi das Cruzes, São Paulo, outros criminosos notórios por atos de extrema violência permanecem vivos. Seus crimes — muitos deles ligados a abusos sexuais, execuções por encomenda ou vinganças pessoais — chocaram o país por décadas e continuam a suscitar debates sobre justiça, reabilitação e segurança pública. De matadores de aluguel a assassinos de crianças, estes perfis mostram que o terror serial não terminou com a morte de Pedrinho. Eles vivem, respiram e, em alguns casos, até buscam redenção atrás das grades.


A mata fechada do Parque do Estado, na zona sul de São Paulo, onde o Maníaco do Parque cometeu seus crimes mais atrozes. Imagem ilustrativa de ambiente similar aos locais de terror serial no Brasil.

O Maníaco do Parque: Francisco de Assis Pereira e os Crimes na Mata de São Paulo



Francisco de Assis Pereira, o infame Maníaco do Parque, foi condenado a mais de 280 anos de prisão por estuprar e matar seis mulheres e tentar assassinar outras nove. Os crimes ocorreram na mata do Parque do Estado, na zona sul da capital paulista, entre o final dos anos 1990. Preso desde agosto de 1998, ele hoje tem 55 anos e cumpre pena na penitenciária de Iaras, no interior de São Paulo — uma unidade específica para condenados por estupro ou aqueles ameaçados de morte dentro do sistema prisional.

Longe da imagem de monstro que marcou sua captura, Pereira leva uma rotina discreta. Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP), ele ocupa os dias com crochê e tricô, bordando tapetes e toalhas para banheiros. Lê a Bíblia regularmente e frequenta cultos evangélicos, sendo considerado um preso de bom comportamento. Sua transformação atrás das grades contrasta com a brutalidade de seus atos, que aterrorizaram São Paulo e expuseram vulnerabilidades em áreas verdes urbanas utilizadas como esconderijo para crimes sexuais.

O Nome da Morte”: Júlio Santana, o Pistoleiro que Matou por Encomenda



Diferente do perfil clássico de serial killer movido por compulsão ou prazer, Júlio Santana representa o lado frio e profissional da pistolagem. O matador de aluguel, que morava em Porto Franco, no interior do Maranhão, registrou em um caderno quase 500 assassinatos por encomenda entre 1971 e 2006. Sua história foi contada no livro “O Nome da Morte: a história real de Júlio Santana, o homem que já matou 492 pessoas”, de Klester Cavalcanti, vencedor do Prêmio Jabuti de Literatura de 2006 e lançado em mais de 20 países. A obra inspirou o filme homônimo dirigido por Henrique Goldman, lançado em 2017.

Como destacou o próprio autor em entrevista, “ele não tinha essa coisa do prazer, do distúrbio e da compulsão. Ele matava só por dinheiro. E era um pistoleiro discreto, que não gostava de chamar a atenção”. Nunca respondeu criminalmente pelos homicídios. Há mais de 15 anos, Santana mudou-se para fugir da constante demanda por seus “serviços”. Hoje, com 68 anos, vive com a esposa e um dos filhos em uma chácara em uma cidadezinha no interior da Paraíba, onde cria galinhas e porcos. A pacata vida rural contrasta drasticamente com o rastro de sangue que deixou por décadas em contratos de morte.


Vida simples em uma chácara no interior da Paraíba, onde Júlio Santana, o “Nome da Morte”, vive atualmente com a família após décadas como pistoleiro profissional. Imagem ilustrativa de ambiente rural nordestino.

O “Justiceiro” da Zona Sul: Jonas Félix da Silva e a Vingança Pessoal

Jonas Félix da Silva, de 69 anos, foi acusado de matar ao menos 50 pessoas. Ele próprio contou que começou a cometer os homicídios em 1986, após a invasão da casa onde morava com a mulher e os três filhos. Segundo seus depoimentos, a esposa teria sido abusada sexualmente por um dos assaltantes. Jonas afirmou sempre ter agido sozinho e ter matado apenas criminosos. Foi acusado de participar de uma chacina que deixou cinco mortos, alegando que o bando havia invadido uma festa e matado o dono da casa a machadadas.

Condenado a 194 anos de prisão, ele está atrás das grades desde 1996. Sua defesa argumenta que os 30 anos de cadeia — período máximo previsto pela legislação brasileira — já venceram em agosto de 2022, pois ele sempre trabalhou na prisão, o que reduz o tempo de pena. O caso de Jonas ilustra a fronteira tênue entre justiça e vingança, um tema recorrente em histórias de “justiceiros” que surgem em bairros periféricos de grandes cidades como São Paulo.

Francisco da Chagas Rodrigues de Brito: O Assassino de Meninos do Norte e Nordeste



Francisco da Chagas Rodrigues de Brito é acusado de matar e mutilar ao menos 42 meninos entre 1989 e 2003, no Maranhão e no Pará. As vítimas tinham entre 4 e 15 anos de idade. Preso desde 2004 em São Luís, no Maranhão, ele foi condenado a mais de 400 anos de prisão. Seus crimes, marcados por extrema crueldade contra crianças, geraram comoção nacional e reforçaram a discussão sobre a proteção à infância em regiões remotas do país.


Interior de uma penitenciária brasileira, como as que abrigam condenados por crimes hediondos. Imagem ilustrativa do sistema prisional que mantém vários serial killers vivos.

O Maníaco de Goiânia: Tiago Henrique Gomes da Rocha e as Confissões de 39 Assassinatos



Tiago Henrique Gomes da Rocha, conhecido como o Maníaco de Goiânia, chegou a confessar ter matado 39 pessoas, entre mulheres, homossexuais e moradores de rua. Preso em outubro de 2014, ele foi condenado a 20 anos de prisão em 2016 pelo assassinato da estudante Ana Karla Lemes da Silva, de 15 anos, morta com um tiro no peito em dezembro de 2013. Em depoimento, afirmou ser forçado a cometer os crimes por “uma força do mal”. Seu caso, concentrado na capital goiana, expôs a vulnerabilidade de grupos marginalizados e a dificuldade de prever atos de violência extrema em contextos urbanos.

O Monstro do Morumbi: José da Paz Bezerra, o Assassino que Foi Solto



José da Paz Bezerra, de 77 anos, ficou conhecido como o “Monstro do Morumbi”. Ele foi acusado de matar 24 mulheres em São Paulo e no Paraná entre as décadas de 1960 e 1970. Em todos os casos, afirmou ter estuprado suas vítimas antes de matá-las. Condenado por sete assassinatos, cumpriu 30 anos de prisão e foi solto em 2001. Sua história foi detalhada no livro “Serial Killers: Made in Brazil”, de Ilana Casoy. Bezerra é um dos poucos que, apesar da gravidade dos crimes, retornou à liberdade após cumprir o tempo máximo previsto pela lei.

O Vampiro de Niterói: Marcelo Costa de Andrade e os Crimes Contra Crianças



Marcelo Costa de Andrade, de 56 anos, ficou conhecido como o “Vampiro de Niterói”. Ele é acusado de ter estuprado e matado 14 crianças em 1991. Diferentemente dos demais, não cumpre pena em regime prisional comum: está internado no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico Heitor Carrilho, no Rio de Janeiro, por tempo indeterminado. Seu caso, marcado por sadismo e vitimização de menores, permanece como um dos mais perturbadores da história criminal brasileira recente.


Elementos simbólicos da investigação de crimes violentos no Brasil, como algemas usadas em prisões de serial killers. Imagem ilustrativa do aparato de justiça.

Reflexões sobre um Sistema que Mantém os Monstros Vivos

A lista dos principais assassinos em série ainda vivos no Brasil revela padrões inquietantes: abusos sexuais como motivação recorrente, pistolagem profissional como meio de subsistência e vinganças pessoais que se transformam em chacinas. Enquanto Pedrinho Matador foi silenciado por balas fora da prisão, nomes como Francisco de Assis Pereira, Júlio Santana, Jonas Félix da Silva, Francisco da Chagas Rodrigues de Brito, Tiago Henrique Gomes da Rocha, José da Paz Bezerra e Marcelo Costa de Andrade seguem existindo — alguns bordando tapetes e lendo a Bíblia, outros vivendo em chácaras tranquilas, outros ainda internados em hospitais psiquiátricos.

Estes casos expõem as limitações do sistema penal brasileiro, que prevê a progressão de pena e o limite de 30 anos de prisão, mesmo para crimes hediondos. Eles também colocam em xeque o debate sobre ressocialização: é possível reabilitar quem tirou dezenas ou centenas de vidas? A sociedade brasileira, que convive com altas taxas de violência, continua a se perguntar se a punição é suficiente ou se a memória das vítimas exige algo mais. Enquanto isso, as famílias das vítimas carregam o luto, e o país segue monitorando esses nomes que, vivos, lembram que o terror serial não é apenas página virada na história criminal.


Obras como “O Nome da Morte”, de Klester Cavalcanti, que eternizaram a história de pistoleiros e serial killers brasileiros. Imagem ilustrativa da memória jornalística e literária desses casos.

Em última análise, estes perfis não servem apenas para chocar. Eles servem como alerta: a linha entre o monstro e o ser humano é tênue, e o sistema de justiça deve equilibrar punição rigorosa com a proteção da sociedade. Enquanto esses homens vivem, as perguntas permanecem — e as vítimas, infelizmente, não.

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