Medida provisória assinada por Lula proíbe apostas online e patrocínios do setor, deixa clubes em alerta e entra de vez na disputa eleitoral de 2026.

A uma semana do primeiro turno das eleições, o governo federal decidiu mexer num dos setores mais lucrativos e polêmicos do país. Em 25 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória (MP) que proíbe as bets, incluindo a publicidade e o patrocínio das empresas de apostas. A decisão atinge diretamente o futebol e abre uma dúvida: qual será o efeito nas urnas?
O que a medida provisória determina
De acordo com o que foi divulgado, a MP proíbe a operação e a oferta de apostas e cassinos online em todo o território nacional, além de novos depósitos e transferências bancárias para as plataformas. Ela também veda a publicidade e o patrocínio feitos pelas empresas do setor.
O mercado havia sido regulamentado no fim de 2023, na própria gestão de Lula, e começou a operar sob o novo modelo em 2025. A mudança de rumo, portanto, representa uma virada na política do governo. Integrantes do Executivo afirmam que não deve haver reembolso às empresas, que já avisam que vão recorrer à Justiça.
Quanto tempo vale a MP
Uma medida provisória tem efeito imediato, mas precisa ser votada pelo Congresso em até 120 dias. A expectativa é que o tema seja analisado entre janeiro e fevereiro de 2027. Nesse intervalo, deputados e senadores podem manter, alterar ou derrubar o texto.

Por que o futebol brasileiro está tão exposto
As casas de apostas se tornaram peças centrais na economia do esporte. Levantamentos indicam que ao menos 13 dos 20 clubes da Série A têm uma bet como patrocinadora máster, e os repasses do setor devem chegar a cerca de R$ 1,1 bilhão nesta temporada. Entre os exemplos estão Flamengo (Betano), Palmeiras e Vasco (Sportingbet), São Paulo e Fluminense (Superbet).
Logo após a assinatura, empresas como Betano, Sportingbet e Superbet notificaram clubes sobre a possibilidade de suspender ou romper contratos. O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, projetou uma perda de R$ 2,5 bilhões para os clubes em 2027.
Um alerta que divide opiniões
Há um contraponto importante. Os patrocínios de apostas representaram 7,2% da receita total da Série A em 2025, que somou R$ 14,3 bilhões. Ou seja, o impacto é pesado, mas não é a maior fonte de dinheiro dos clubes. Além disso, onze clubes publicaram notas em defesa do setor, e a reação de boa parte dos torcedores foi negativa.

O socorro prometido aos clubes
Para amenizar o choque, o governo estuda um pacote de apoio. Entre as medidas em discussão estão o prolongamento dos prazos de dívidas dos clubes com a União e bancos públicos, sem anistia, e uma linha de crédito com juros menores, com participação do BNDES.
O presidente pretende se reunir com dirigentes após as eleições, e a tendência é que o socorro só seja concretizado depois do segundo turno, marcado para 25 de outubro. Até lá, os clubes ficam com a incerteza sobre contratos, fluxo de caixa e planejamento para 2027.
O que pode mudar na eleição
O timing da medida alimenta a leitura política. Uma ala do PT, incluindo o presidente do partido, Edinho Silva, defendia um período de transição antes da proibição, e analistas apontaram um cálculo eleitoral na decisão. Já críticos classificam a iniciativa como arriscada em plena campanha, por enfrentar o setor esportivo e eventuais ações judiciais.
Pesquisas indicam um ambiente favorável à restrição. Segundo levantamento More In Common/Ipsos-Ipec, 68% dos entrevistados concordam que o patrocínio das bets deve ser proibido, contra 19% que o defendem por ajudar os clubes. Entre eleitores de Lula, o índice é de 65%. Outro dado reforça o apelo do tema: estudo do Comsefaz estimou que as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões com apostas em 2025.
Ainda assim, não há como afirmar que a MP terá efeito decisivo no voto. A medida convive com economia, segurança e outros temas que pesam mais na decisão do eleitor, e o resultado só será conhecido nas urnas.
Os riscos apontados por quem critica a proibição
O setor regulado e alguns analistas alertam para o risco de fortalecer o mercado clandestino. Segundo esse argumento, sites ilegais não pagam impostos, não aplicam limites de aposta e não colaboram com as autoridades. Há também a preocupação com a arrecadação, que passou de R$ 8 bilhões em 2026, e com a insegurança jurídica de mudar as regras durante o Campeonato Brasileiro.
Defensores da proibição rebatem que o problema social é maior, citando endividamento das famílias e risco de manipulação de resultados. Na pesquisa citada, 58% dos entrevistados disseram acreditar que as bets aumentam muito o risco de manipulação de partidas.
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Conclusão
O fim das bets coloca três forças em rota de colisão: a política, que busca resposta ao endividamento e ao desgaste do setor; o futebol, que perde uma fonte de receita relevante; e as empresas, que prometem reagir na Justiça. O impacto eleitoral ainda é uma incógnita, e o futuro dos clubes depende do pacote de apoio e da decisão do Congresso nos próximos meses. Uma coisa é certa: o tema veio para ficar no debate público.
Perguntas Frequentes
As bets foram mesmo proibidas no Brasil?
O presidente Lula assinou, em 25 de setembro de 2026, uma medida provisória com a proibição. Ela tem efeito imediato, mas precisa ser votada pelo Congresso em até 120 dias.
Os patrocínios de bets nos clubes também acabam?
Sim. A MP proíbe publicidade e patrocínio do setor, e as empresas já notificaram clubes sobre possível suspensão ou rompimento de contratos.
Quanto os clubes recebem das bets?
Os repasses devem chegar a cerca de R$ 1,1 bilhão na temporada, e os patrocínios de apostas representaram 7,2% da receita da Série A em 2025.
O governo vai ajudar os clubes?
Estão em estudo prorrogação de dívidas com a União e bancos públicos e uma linha de crédito com juros menores, via BNDES. O socorro deve ser discutido após as eleições.
A proibição pode influenciar o voto?
Pesquisas mostram rejeição ampla ao patrocínio de bets, mas não há como medir o efeito no voto antes do resultado das urnas.
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